Fatos que marcaram a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro nos últimos 40 anos
Enviado Quarta, 07 de Outubro de 2026.Jandira Feghali (PCdoB), Carlos Minc (PT), Anthony Garotinho (PDT) e Heloneida Studart (PMDB) foram alguns dos eleitos para a Alerj em 1986, primeiro ano após o fim do regime militar
Durante décadas, a experiência acumulada nos corredores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e junto aos eleitores nas ruas foi a credencial para sobreviver a sucessivas eleições. O pleito deste ano, marcado por forte apelo nas redes sociais, no entanto, impôs um novo modelo de campanha. Mesmo políticos que iniciaram suas trajetórias em palanques e distribuindo “santinhos” conseguiram se adaptar aos algoritmos e garantir mais quatro anos de mandato. Outros, mesmo depois de cinco, até dez legislaturas, vão se despedir do plenário. Relembre oito fatos marcantes em quatro décadas de funcionamento da Casa legislativa.
Há 40 anos
No primeiro ano após o fim do regime militar, em 1986, foram eleitos para Alerj deputados de 14 partidos. Das 70 cadeiras do Legislativo, 18 estavam com o PMDB e 17, com o PDT, ou seja, metade da Casa. O PDT de Leonel Brizola era uma força eleitoral enorme no Rio, praticamente empatado com o PMDB. O PFL tinha dez parlamentares. E havia no Legislativo nomes que depois se tornariam muito conhecidos na política fluminense. Entre os eleitos estavam, por exemplo, Jandira Feghali (PCdoB), Carlos Minc (PT), Anthony Garotinho (PDT), Jorge Roberto Silveira (PDT), José Nader (PDT) e Heloneida Studart (PMDB).
Quebra de decoro parlamentar
Em agosto de 2008, a Alerj cassou o mandato do então deputado Álvaro Lins (PMDB) por 36 votos a 24. Houve três abstenções. Sua derrota foi o capítulo final de uma novela que começou em junho daquele ano, quando a Corregedoria da Casa começou a apurar sua quebra de decoro parlamentar. O mandato de Álvaro Lins ficou na berlinda depois que ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal, suspeito de integrar esquemas de corrupção passiva, formação de quadrilha e enriquecimento ilícito. Após ser denunciado, Lins chegou a ser preso durante a operação Segurança Pública S/A, da Polícia Federal. A prisão foi relaxada pela Alerj horas depois. Após ver sua imagem arranhada, a Casa passou a apurar se houve quebra de decoro do parlamentar.
Servidores em fúria
Em novembro de 2016, manifestantes que estavam protestando contra o que chamavam de “pacote de maldades do governo estadual", na escadaria da Alerj, invadiram a Casa. O grupo arrancou os tapumes que estavam diante do Palácio Tiradentes, e, após confusão e correria, conseguiu chegar ao plenário da Assembleia. Alguns subiram na mesa da presidência. Não havia deputados no plenário no momento da invasão. Salas da assembleia, como a da vice-presidência, foram destruídas pelos manifestantes. O grupo entoava gritos de guerra como "Uh, é Bolsonaro" e "Ô Picciani, pode esperar, a tua hora vai chegar", em referência ao então presidente da casa, Jorge Picciani (PMDB), que declarou apoio ao pacote do governo do estado contra a crise.
Caixinha da Fetranspor
A Operação Cadeia Velha foi uma das investigações mais importantes da Lava Jato no Rio de Janeiro porque atingiu diretamente a cúpula da Alerj e revelou uma suposta relação estruturada entre deputados, empresários de ônibus e grandes empreiteiras. Foi deflagrada em 2017. A tese central era que determinados deputados da Alerj recebiam propina em troca de atuação política favorável aos interesses de empresas. Uma das acusações era a existência de uma espécie de "caixinha" da Fetranspor, na qual recursos provenientes do setor de transportes eram destinados a políticos. Os principais parlamentares envolvidos eram Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi.
Loteamento de cargos
Como um desdobramento da Operação Cadeia Velha, em novembro de 2018, foi deflagrada a Operação Furna da Onça, contra um esquema de corrupção envolvendo deputados da Alerj, pagamento de propina, loteamento de cargos públicos e uso político de funcionários terceirizados. A investigação apontou que deputados recebiam pagamentos regulares em troca de apoio político ao governo de Sérgio Cabral. Além de Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, que já estavam presos por causa da Operação Cadeia Velha, foram atingidos os deputados André Corrêa, Chiquinho da Mangueira, Coronel Jairo, Luiz Martins, Marcelo Simão, Marcos Abrahão e Marcus Vinícius "Neskau".
Nova sede
Os setores administrativos, o plenário e os gabinetes dos deputados estaduais passaram a funcionar no Edifício Lúcio Costa (antigo "Banerjão") — localizado na Rua da Ajuda, no Centro — em agosto de 2021. Com a implantação da nova sede da Alerj, foram gastos entre R$ 156 milhões e R$ 165 milhões dos cofres públicos. A partir da mudança, o Palácio Tiradentes passou a funcionar como espaço cultural e museu.
Envolvimento com o crime organizado
Em setembro de 2025, o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, foi preso em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no âmbito da Operação Zargun. Segundo a investigação, TH Jóias utilizava o mandato para favorecer o crime organizado. Ele foi acusado de intermediar a compra e a venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão. Em setembro último, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região aceitou a denúncia do Ministério Público Federal, tornando-o réu por organização criminosa, tráfico de drogas e de armas, corrupção e contrabando, com ligações apontadas com o Comando Vermelho.
Presidente preso
Com seis fases, a Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025 como um desdobramento da Zargun. Segundo a investigação, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, teria recebido informações sigilosas sobre a Zargun e repassado o alerta a TH Jóias. Bacellar foi preso preventivamente por obstrução de investigação envolvendo organização criminosa armada, teve a prisão substituída por medidas cautelares, mas foi preso novamente em março deste ano. Poucos dias antes, perdeu o mandato de deputado por decisão do TSE em outro processo, relacionado ao caso Ceperj. Nas diversas fases, a Unha e Carne teve como alvos ainda o deputado Thiago Rangel, que renunciou ao cargo, e os ex-deputados Márcio Canella e Marco Antônio Alencar.
Fonte: O Globo
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