Ruas e Paes vão para 2º turno no RJ; decisão ainda depende do TSE

Enviado Segunda, 05 de Outubro de 2026.

Se Tribunal Superior Eleitoral decidir por invalidar votos de Garotinho, Ruas vencerá no 1º turno.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou por volta das 21h deste domingo (4) que Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) vão disputar o 2º turno da eleição para o governo do RJ.

O resultado, no entanto, ainda será ratificado pelo próprio TSE: se o colegiado decidir por invalidar os votos de Garotinho, Ruas vencerá no 1º turno.

“Quem dará a palavra final sobre Garotinho é o TSE”, disse o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), desembargador Claudio de Mello Tavares.

Com 100% das urnas apuradas, o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) tinha obtido 4.271.199 votos, ou 49,27% dos votos válidos, ante os 3.706.984 votos (42,76%) do ex-prefeito do Rio de Janeiro.

Garotinho (Republicanos) somou 274.411 votos (3,17%), mas todos foram contados sub judice, pois sua candidatura foi indeferida e aguarda julgamento no TSE.

Entenda o impasse

O TSE incluiu Garotinho na totalização: os 9 candidatos somaram 8,66 milhões de votos. Desse montante, Ruas levou 4,26 milhões, quase a metade.

Se o órgão indeferir a candidatura de Garotinho, seus 274 mil votos serão excluídos do total válido, que cairá de 8,66 milhões para 8,39 milhões.

Nesse universo, os 4,26 milhões de Ruas passam a equivaler 50,89% do total válido, o suficiente para definir o pleito no 1º turno.

Garotinho chegou ao dia da eleição com o registro de candidatura indeferido, mas com recurso pendente de julgamento. Por isso, os votos recebidos por ele aparecem como anulados sub judice.

A regra está prevista no Artigo 18 da Resolução 23.677/2021 do TSE. Ela estabelece que votos dados a uma chapa cujo registro esteja indeferido, cancelado ou não conhecido, mas cuja decisão ainda seja objeto de recurso, sejam computados dessa forma.

Douglas Ruas

Em coletiva em São Gonçalo, na Região Metropolitana, Ruas afirmou que vai “governar para todos”, independentemente da escolha feita nas urnas, e disse que sua campanha representa um “caminho novo” para o estado.

Ele também disse acreditar que a votação no estado será decisiva para a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

“Elegemos os dois senadores, 15 deputados federais, 20 deputados estaduais e aumentamos o percentual de vantagem na eleição presidencial, e tenho certeza que esse percentual de votos no Rio será decisivo para a eleição de Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Douglas Ruas é bacharel em direito, pós-graduado em Gestão Pública e concursado da Polícia Civil.

Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, Ruas está em seu 1º mandato como deputado estadual. Atualmente, preside a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ruas foi eleito em 2022 como o 2º mais votado do estado, com 175 mil votos.

A candidata a vice-governadora da chapa é vereadora de Niterói e empresária Fernanda Louback (PL).

Douglas Ruas também concentrou sua campanha em segurança pública, relacionando o enfrentamento da criminalidade ao desenvolvimento econômico. O candidato propôs zerar o déficit de policiais militares em até 4 anos, convocar aprovados em concursos e estabelecer um cronograma para novos concursos.

Também apresentou medidas de tecnologia e integração das forças de segurança, incluindo monitoramento, reconhecimento e atuação nas divisas do estado. A segurança foi associada, nas propostas do candidato, à retomada de territórios e à criação de um ambiente favorável para atividades econômicas.

Na educação, Ruas propôs ampliar o modelo de escolas cívico-militares, passando das 17 unidades existentes para 200, segundo a proposta apresentada durante a campanha. Também defendeu qualificação profissional a partir do 1º ano do ensino médio.

“Eu quero que os nossos jovens saiam da escola com diploma e com uma profissão. Vamos fazer isso respeitando as vocações regionais, em parceria com o setor privado, para que os nossos jovens possam se qualificar naqueles postos em que existam as oportunidades no mercado de trabalho”, afirmou.

Na saúde, propôs Centros Integrados de Saúde em todas as regiões, reunindo consultas especializadas, exames e pequenas cirurgias. Também defendeu estabelecer prazos para o atendimento e, quando a rede pública não conseguisse cumprir o prazo, contratar serviços na rede privada.

Para a Baixada Fluminense, apresentou um programa de obras de infraestrutura em parceria com as prefeituras. O candidato também relacionou a segurança ao ambiente de negócios e defendeu ações para reduzir a criminalidade em áreas comerciais.

Eduardo Paes

"Esperávamos que fosse melhor", disse o candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PSD, Eduardo Paes, após resultado do 1º turno. A declaração foi dada em uma coletiva de imprensa em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, neste domingo (4).

“O 2° turno vai servir para a gente mostrar de forma mais clara e evidente, sem a nebulosidade do primeiro, de que luta estamos tratando. Uma máfia tomou conta do Rio”, disse.

Bacharel em direito e ex-prefeito do Rio por 4 mandatos, se tornando o prefeito com mais tempo na função, Eduardo Paes disputa o cargo de governador pela 3ª vez.

Sua vice é Jane Reis (MDB), irmã de Washington Reis, presidente do MDB no RJ e ex-prefeito de Duque de Caxias.

Eduardo Paes apresentou propostas concentradas em segurança, saúde, educação e transporte, além de defender uma reorganização administrativa da segurança pública.

Na área de segurança, afirmou que pretende reunificar a Secretaria de Segurança Pública e impedir interferências políticas na nomeação de comandantes de batalhões e delegados. Também propôs começar a retomada de territórios pelo Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e anunciou a criação de um novo batalhão na Praça Seca.

“Nós vamos reunificar a Secretaria de Segurança. Não vai ter mais essa bagunça”, afirmou no debate da TV Globo.

Paes também apresentou propostas específicas para o combate à violência contra a mulher, como a criação de 8 delegacias da mulher com funcionamento 24 horas e a ampliação das equipes da Ronda Maria da Penha.

Na saúde, propôs criar 8 Supercentros Regionais de Especialidades, seguindo um modelo implementado durante sua gestão na Prefeitura do Rio. A ideia é reduzir filas de regulação e evitar que pacientes de outras regiões precisem se deslocar até a capital. Também prometeu concursos para contratação de profissionais da saúde.

Na educação, defendeu aumentar o ensino em tempo integral e levar para a rede estadual o modelo dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, além de ampliar o ensino médio profissionalizante.

No transporte, propôs dar início às obras da Linha 3 do metrô, alterar o modelo de operação ferroviária, licitar a bilhetagem eletrônica e reduzir a passagem dos ônibus intermunicipais.

Fonte: G1