Como nunca antes, choveu a cântaros no Rio de Janeiro nas últimas 48 horas. A reação do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi tardia, perplexa e acaciana: ninguém deve sair de casa, disse nas primeiras horas de ontem, quando muitos já estavam na rua. Voltaram para casa aqueles que estavam na rua e não conseguiram transporte. Muitos permaneceram no local de trabalho na segunda à noite, sem poder voltar para casa.
O governador Sérgio Cabral não fez muito diferente: ao ser entrevistado por uma emissora de TV, ao ver moradores do Morro da Mangueira — uma das favelas mais antigas do Rio — na beira de um barranco que havia desabado, deu uma bronca coletiva nos incautos, ao vivo e em cores. Mas não havia ninguém da Defesa Civil para interditar a área.
Cabral chamou de irresponsáveis os moradores do local do deslizamento, que ocupam edificações de três a quatro andares construídas em área de risco cuja ocupação está sendo consolidada pelo Minha Casa, Minha Vida. Há 10 mil cariocas morando em áreas de risco, por onde deveria começar o programa.
Foi pior
No entorno da Baía de Guanabara – em Niterói, São Gonçalo, Magé, Duque de Caxias, São João de Meriti e Belford Roxo —, o desastre também foi grande, como de resto em todo litoral fluminense e na região serrana. Mais uma vez faltou um plano de contingenciamento da Defesa Civil, repetindo a tragédia de Angra dos Reis. O que se viu no Maracanã e na Lagoa é pouco perto do que aconteceu em outras áreas.
Bagunça
Não existe um plano de contingência para o caso de fechamento do Aeroporto Santos Dumont, apesar de serem frequentes. Os passageiros dos voos transferidos para o Galeão na noite de terça-feira ficaram insulados. Na madrugada da chuva, quase não havia policiais e bombeiros na Linha Vermelha.
Descaso
Uma velha senhora que embarcaria para Miami às 17h de segunda, num voo da American Airlines que foi cancelado, vagava num táxi que fazia “lotação” às três da manhã de terça sem conseguir chegar ao Jardim Botânico. A Gol também deu um show de incompetência e desrespeito com seus passageiros: oferecia um vale de R$ 39 para cada grupo de três passageiros pagar o táxi até o Santos Dumont e tchau!
Se chover?
O presidente Lula não se deu por achado com a catástrofe. Ao contrário do que andou falando sobre São Paulo, minimizou o despreparo do Rio e culpou o volume pluviométrico inédito pela tragédia. Permaneceu ao lado de Sérgio Cabral o tempo todo, apesar de ter cancelado parte da agenda por causa da chuva. Lula disse que o Rio está preparado para a Copa e as Olimpíadas. O saldo de mortos prova exatamente o contrário.
07/04/2010 - COLUNA BRASÍLIA DF - LUIZ CARLOS AZEDO)
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