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Levy: Acertando Previdência, voltaremos a crescer 3% ao ano

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, afirmou nesta segunda-feira (15) que o Congresso e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) estão convergindo para chegar a uma solução para a reforma da Previdência, que, uma vez aprovada, pode fazer com que o Brasil volte a ter grau de investimento. Assim, a economia pode retornar a crescer na faixa de 3% ao ano, afirmou Levy, que participou, hoje, de almoço-debate promovido pelo Lide, em São Paulo.
A aprovação das mudanças nas regras de aposentadoria deve gerar um círculo virtuoso para a economia brasileira, disse. "Quando as receitas tributárias começam a subir, se começa a ter resultados fiscais melhores, e isso nos coloca em posição mais favorável para termos grau de investimento outra vez. O preço da dívida cai e temos tudo para voltar a ter grau de investimento, que é onde deveríamos estar." 
Quanto mais rápido empresários e investidores tiverem clareza em relação à reforma, mais fácil será a retomada econômica, acrescentou Levy. "Tenho absoluta confiança de que a reforma será aprovada. Mas o PIB não cresce só por conta do governo, ele cresce também por conta de cada um que está aqui", afirmou, dirigindo-se a uma plateia de cerca de 400 empresários, de acordo com a organização do evento. "Tenho certeza que os senhores estão esperando ações políticas para dar um passo maior", disse Levy. Se cada empresa der este passo antes da Previdência, a economia pode voltar a crescer mais rápido, avaliou, observando que existe capacidade de coordenação do governo para que o projeto passe no Congresso.
"Isso é essencial para dar ambiente de segurança para que investidores privados possam tomar novos riscos." De acordo com Levy, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem dado uma sinalização neste caminho. "Se vencermos este primeiro estágio, depois ficará mais fácil para fazermos o resto", disse. O BNDES, segundo ele, continuará apoiando a economia, mas com novas formas de atuar, com maior apoio a pequenas e médias empresas, mas sem concorrer com bancos comerciais. "O cadastro positivo é outra tentativa de superar essa assimetria de informação."
No evento em São Paulo, Levy afirmou também que o BNDES está pensando em usar parte de seu balanço para financiar operações de hedge (proteção) para projetos de financiamento em infraestrutura. De acordo o presidente da instituição, a ideia está sendo discutida com o Banco Central.
A afirmação foi feita após o presidente ter sido questionado se o BNDES poderia apoiar essas operações, como ocorre em outros países. Segundo Levy, existe uma preocupação da instituição em não entrar em projetos que tragam riscos desnecessários. Durante sua palestra no evento, ele afirmou que o Brasil tem capacidade de mobilizar sua poupança doméstica e externa para financiar projetos maiores na área de infraestrutura, com "maior ambição", como o trem que ligaria Campinas a São Paulo, por exemplo, ideia que não saiu do papel durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
"Vim de Guarulhos para cá e é muito difícil. Temos que pensar coisas deste tamanho para o país", comentou. O presidente do BNDES elogiou os resultados dos três leilões de concessões em infraestrutura já realizados pelo governo neste início de ano e lembrou que há uma nova rodada de projetos a serem apresentados na próxima semana no âmbito do Programa de Parcerias em Investimentos [PPI]. A direção do governo, de acordo com Levy, é de dar cada vez mais protagonismo ao setor privado, que demonstrou interesse nos certames.
"Os leilões atraíram grande interesse de investidores nacionais e estrangeiros", disse, mencionando que o certame da ferrovia Norte-Sul gerou outorga duas vezes maior do que o previsto. No leilão dos aeroportos, a presença de investidores espanhóis também foi uma surpresa positiva, acrescentou. "Abre-se espaço para dinamizar o turismo nesta região."
Segundo Levy, o BNDES também vai apoiar projetos nas áreas de energia eólica e solar, além de participar das licitações de portos e de 5.000 km de estradas. "Tudo isso é caminho para uma economia de menor custo e maior competitividade." Hoje, afirmou ele, o Banco Central tem "sabido aproveitar" o hiato do produto elevado para trazer a taxa de juros a nível historicamente baixo, o que ajuda o BNDES a financiar os projetos de infraestrutura com apoio do mercado.

 
 

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