O novo governo alemão anunciou no fim de semana sua decisão de deixar que o buraco fiscal do país aumente para poder se concentrar em impulsionar a economia. A aposta é arriscada, mas recebe o apoio de muitos economistas, que a consideram necessária. O novo programa de governo foi apresentado no último sábado pela coalizão que apoia a chanceler Angela Merkel e prevê 24 bilhões de euros de redução de impostos.
A justificativa do governo é que as finanças públicas no vermelho são preço a pagar para apoiar a reativação econômica. De acordo com as explicações dadas, uma vez que se recupere o crescimento, haverá mais empregos, assim como mais pessoas e empresas ganhando dinheiro e pagando impostos, e isso permitirá diminuir o déficit de forma progressiva.
"O governo que tomará posse na quarta-feira (amanhã) reduzirá a carga fiscal das famílias, reformará o imposto para as empresas e o imposto sobre a herança", anunciou Merkel em uma entrevista coletiva conjunta com o líder dos liberais, Guido Westerwelle, que será o ministro das Relações Exteriores.
As reduções fiscais começarão a partir de 1º de janeiro de 2010. Em uma segunda etapa, o regime fiscal será reformado a partir de 2011. Até o fim de 2013 a meta é de que as reduções fiscais alcancem 24 bilhões de euros, em benefício das famílias e empresas alemãs. Simultaneamente, uma reforma do financiamento do sistema de saúde pública resultará no aumento dos descontos dos segurados, enquanto a parte das empresas será submetida a um teto.
A origem do dinheiro para sustentar tal plano, no entanto, não foi completamente explicada. Para Westerwelle, o dinheiro virá da poupança no funcionamento da máquina estatal e do crescimento futuro, enquanto Merkel declarou que se trata "fundamentalmente de estimular o emprego". A dívida alemã equivale a quase 20 mil euros por habitante.
Wolfgang Schaeuble, veterano da União Democrata Cristã (CDU) que trabalhou com o chanceler Helmut Kohl, será o ministro das Finanças. Ele terá a dura tarefa de reduzir o déficit e fazer com que os gastos progridam de maneira mais lenta que o avanço do PIB.
O novo governo estabeleceu como meta levar a maior economia da Europa ao primeiro lugar mundial nas áreas da educação, ciências e pesquisas. "Quando se apoia o consumo das famílias, a questão é saber se o dinheiro é gasto ou as famílias poupam a maior parte", adverte o presidente do instituto de pesquisa econômica DIW, Klaus Zimmermann, levando em conta que as taxas de juros para a poupança na Alemanha são uma das mais elevadas dos países ocidentais.
Para outros economistas o novo governo não tem mais nenhuma opção. "Reduzir os impostos agora e consolidar o orçamento mais tarde é a ordem correta a de fazer as coisas", comenta o especialista Dirk Schumacher, do Goldman Sachs.
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