Embora o ministro Guido Mantega tenha assegurado que o governo não tem como objetivo elevar a arrecadação com a cobrança de IOF sobre a entrada de recursos estrangeiros, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou que o impacto da taxação tem efeito "mais arrecadatório" do que sobre a cotação do câmbio. Para ele, o impacto sobre a cotação do dólar será apenas transitório.
"Não vejo que essa taxação possa ter muito efeito para melhorar a condição do exportador", afirmou Miguel Jorge. Segundo Miguel Jorge, a taxação teria mais efeito se a alíquota fosse superior a 2%. "Isso, porém, seria um tiro no pé", ressalvou, acrescentando que uma alíquota superior à de 2% imposta na terça-feira prejudicaria o fluxo de recursos para investimentos.
Segundo a Receita, a nova taxação deve gerar uma arrecadação adicional de R$ 4 bilhões por ano em IOF, mas conforme estimativa do economista da LCA Bráulio Borges, a arrecadação com esse imposto pode somar um volume próximo a R$ 10 bilhões em um ano, o equivalente a cerca de 0,3% do PIB. Esse cálculo considera que o IOF de 2% será mantido pelo menos pelos próximos 12 meses e se baseia no ingresso médio de investimentos estrangeiros dos últimos seis meses.
Para o especialista, ao tomar a iniciativa de taxar o capital estrangeiro o governo pode ter levado em consideração o ganho fiscal. "Acredito que o governo uniu o útil ao agradável", afirma. Para a LCA, se a preocupação fosse exclusivamente os fluxos especulativos, a taxação faria diferenciação dos fluxos pelo tempo de permanência. Outro alvo mirado pelo governo com a medida, na opinião de Borges, é evitar a formação de uma bolha de ativos, especialmente na bolsa de valores. Ele observa que o investidor estrangeiro capta recursos no exterior a juros perto de zero e aplica no Brasil com retornos elevados.
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