A secretária estadual de Ação Social do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, foi derrotada pelo prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, nas prévias do PT do Rio para a escolha de um candidato ao Senado por 67,1% (18.546 votos) contra 32,9% (9.090 votos). A explicação oficial é de que o PT do Rio decidiu por um jovem que pode, na próxima eleição, ser o tão sonhado candidato próprio a governador. Nos bastidores, conta-se que Benedita foi posta de lado porque já apoia o atual governador, Sérgio Cabral, e pode ser eleita deputada federal trazendo seus votos para a coligação com o PMDB, enquanto Lindberg agregaria novos votos à chapa e não sairia por aí reclamando, caso perdesse a prévia.
O deputado federal Luiz Sérgio, presidente do diretório do Rio, diz que Lindberg soube angariar votos. "Ele estava vacinado com a derrota da eleição para diretório regional. Soube se movimentar. Montou uma equipe". Além disso, o deputado conta que o partido quer uma alternativa de poder. Luiz Sérgio confirmou que o governador Sérgio Cabral não interferiu na eleição.
Opositor a Luiz Sérgio na eleição interna de dezembro, Lourival Casula, que apoiava na época o pleito de Lindberg ser candidato a governador, diz que o partido precisa ter uma perspectiva de futuro. "Lindberg vai ao Senado e depois será candidato a governador. Era o que todos queriam". Casula lembra que sua derrota para Luiz Sérgio foi apertada e que os militantes já demonstravam estar mudando de direção. Ele acredita que Lindberg traz esperança aos petistas do Rio de deixarem de ser coadjuvantes, já que, desde a primeira eleição de Garotinho, em 1998, eles apoiam um governador de outro partido.
Ao contrário da eleição do diretório regional, quando o grupo de Antonio Palocci negociou com as lideranças do PT do Rio a eleição de Luiz Sérgio, para impedir a candidatura própria de Lindberg a governador, desta vez, nem a direção nacional do partido defendeu Benedita. A secretária contava com seu histórico para vencer as prévias. Sua campanha se baseava nos cargos que já ocupou e em sua história dentro do PT.
Um dos fundadores do partido, Vladimir Palmeira, diz que para a aliança com o PMDB a vitória de Lindberg é mais positiva, pois agrega mais votos a Cabral e à candidata à Presidência, a ministra Dilma Rousseff. "Todos estarão no palanque dando apoio", concluiu.
Apesar de derrotada, Benedita da Silva, confirmou ontem que subirá no palanque da coligação, com Dilma, Cabral e Lindberg. "Trabalharei pelo nosso candidato a senador". Quanto a uma possível candidatura à deputada federal, Benedita diz que é muito cedo para tomar decisões. Benedita conta que vai terminar a semana como secretária e decidir se se desincompatibilizará do cargo. "Estou trabalhando muito, terminando minhas atividades na secretaria", conta ela. Quanto aos motivos da derrota, Benedita diz que Lindberg teve mais disponibilidade para angariar votos: "Ele já vinha trabalhando para a candidatura a governador há mais de um ano. Teve uma estratégia inteligente, foi só mudar o cargo. Eu não tive tanto tempo."
30/03/2010
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