Em conversa com o governador José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, dirigentes tucanos do Rio ficaram encarregados de tentar contornar até o fim de fevereiro as dificuldades que ainda emperram a aliança com DEM e PPS em torno da candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV) ao governo do estado. A oposição pretende anunciar uma aliança em março, quando Serra deverá finalmente assumir a candidatura à sucessão presidencial.
"Queremos encontrar solução para os problemas que ainda existem e, quando tudo estiver resolvido, marcar uma vinda do Serra ao Rio", disse o presidente regional do PSDB fluminense, José Camilo Zito dos Santos, prefeito de Duque de Caxias. O presidente municipal, deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Costa, também participou da reunião.
Além da situação inusitada de uma chapa em que Gabeira pediria votos para a senadora Marina Silva, candidata do PV à Presidência, e o candidato a vice-governador, do PSDB, faria campanha para Serra, a animosidade entre os verdes e o DEM também atrapalha a aliança. O PV decidiu não pedir votos para o ex-prefeito Cesar Maia, candidato ao Senado pelo DEM.
A aliança com Gabeira resolve a dificuldade do PSDB em ter um palanque forte para Serra no Rio de Janeiro. Em 2008, o deputado do PV teve um bom desempenho na disputa pela prefeitura da capital, em aliança com o PSDB, e perdeu por pouco para o prefeito Eduardo Paes (PMDB), no segundo turno. Corrêa da Rocha, que foi candidato a vice de Gabeira, diz que a repetição da aliança, acrescida de DEM e PPS, criaria três campos distintos na disputa pelo governo. Além de Gabeira, são candidatos o governador Sérgio Cabral (PMDB), à reeleição, e o ex-governador Anthony Garotinho (PR).
"Há muito tempo a gente não vai para a eleição tão competitivo, tanto no plano estadual quanto federal", diz o presidente do PSDB carioca. Para Zito, os próximos 30 dias são o momento certo para resolver os problemas "e não ter desconforto lá na frente". O próprio presidente regional era contrário à aliança com Gabeira, mas acabou reconhecendo que os tucanos não têm um nome competitivo para enfrentar Cabral e Garotinho.
Na segunda-feira, a executiva estadual do PV no Rio definiu os nomes de Fernando Gabeira para disputar o governo e da vereadora Aspásia Camargo para o Senado. A executiva fluminense garantiu que essas duas candidaturas serão mantidas, em definitivo, para as eleições de 2010.
Segundo o vereador Alfredo Sirkis, presidente do PV no Rio, o candidato a vice será escolhido pelo PSDB. O indicado sairá de uma lista de quatro nomes: o ex-vice-governador Luiz Paulo Corrêa da Rocha (gestão Marcello Alencar), os deputados federais Márcio Fortes e Otávio Leite e a presidente do Flamengo e ex-nadadora, Patrícia Amorim.
A questão do palanque duplo ainda não foi resolvida. "O candidato a vice do PSDB poderá recepcionar Serra durante a campanha", avaliou Sirkis. Há dúvidas, porém, sobre como ficará a situação da aliança caso a eleição vá para o segundo turno.
21/01/2010
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