Pesquisa mostra que apesar de o nível de satisfação do carioca ter se mantido, as queixas aumentaram
De um ano para cá, o percentual de cariocas insatisfeitos com três dos principais serviços públicos oferecidos no Rio — Educação, Segurança e Transporte — se manteve, mas os usuários descontentes afiaram suas críticas em comparação ao ano passado, aponta pesquisa da ONG Rio Como Vamos. O atendimento em Saúde foi o único que deixou mais pacientes satisfeitos, se comparado a 2008. Ainda assim, cresceu o número de críticas ao tempo de espera e filas.
De forma geral, aumentou a quantidade de reclamações dos quatro serviços. Em Transporte, por exemplo, ‘superlotação’, ‘falta de conforto’ e ‘mau estado mecânico’ receberam 26 queixas a mais este ano. Em Segurança, a maioria continua insatisfeita: nota 4,8.
Já em Saúde, o carioca percebeu melhorias, como antecipou o ‘Informe do DIA’. Na avaliação da qualidade do atendimento, 37% estão mais satisfeitos, frente a 19% de 2008. Contudo, em relação ao serviço de emergência prestado pelas unidades municipais de saúde, 68 pessoas julgaram-no ‘muito ruim’, pior conceito do ranking. O tratamento de doenças agudas recebeu mais notas ruins do que boas. O contrário aconteceu com os tratamentos preventivos e consultas de rotina, que receberam notas 9 e 10 e ficaram com conceito ‘muito bom’. Aumentaram ainda as notas negativas dos itens ‘demora no atendimento’, ‘poucos médicos’ e ‘médicos ruins/incompetentes/maltreinados’.
A Educação (pública e particular) também subiu no conceito dos cariocas. Aumentou 10% o número de entrevistados que viram melhorias nas políticas de ensino. Entre os que disseram que o ensino piorou, 58 atribuíram ao ‘nível ruim dos professores’’. Foram ouvidas 1.358 pessoas, em agosto, no Rio.
Metrô e trem: usuários reclamam
Os cariocas deram nota 6,8 — em uma escala de 0 a 10 — para os meios de transporte público, a mesma do ano passado. Os conceitos ‘bom’ e ‘muito bom’ foram dados por 60% dos entrevistados, contra 40% para ‘muito ruim’ e ‘regular’.
Os passageiros mais críticos — que deram notas de 1 a 5 — explicaram o porquê: o metrô, por exemplo, lidera o número de reclamações de superlotação este ano, com 37, e os trens, com a falta conforto, com 24 votos.
Usuários do sistema metroviário, diante da enxurrada de reclamações contra o serviço, organizam, via Internet, um boicote ao serviço. O movimento prega que o metrô não seja usado dia 30.
Aumentou o número de orgulhosos
Os pesquisadores encontraram cariocas felizes com a cidade durante os dias de coleta de dados, entre 6 e 11 de agosto. A média de moradores que se dizem ‘orgulhosos’ do Rio subiu de 7 para 7,4, em relação ao ano passado. O maior número de pessoas que responderam ‘sim’ para o orgulho da cidade é da Zona Sul e tem entre 16 e 24 anos ou já passou dos 50.
Este ano, 48% dizem que a qualidade de vida aumentou, contra 38% no ano passado. Os cariocas estão também mais ‘otimistas’ em relação às expectativas para a cidade daqui a 10 anos. Entre os que moram no Rio há mais de 10 anos, o número de otimistas passou de 37 para 47. A estudante Thailine Rodrigues, 18, está esperançosa. “A cidade oferece qualidade de vida, mas acredito que pode melhorar ainda mais”, disse frequentadora da Lagoa, com a amiga Dora Junqueira, 18.
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