24 de maio, 2012 (Brasília)

Comunicação

Royalties, para eles, são peças de ficção

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Correio Braziliense

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO BRASILIENZE

Infraestrutura de municípios beneficiados por compensações financeiras de Furnas é quase inexistente
Ao contrário de outras regiões do país, onde são disputados e viram motivo de desavenças políticas, no Entorno de Brasília, os royalties distribuídos pelas Centrais Elétricas de Furnas aos municípios como compensação financeira pela utilização de recursos hídricos não implicam alterações no desenvolvimento das cidades. Santo Antônio do Descoberto, por exemplo, recebeu R$ 264 mil em 2009, mas continua sendo uma localidade sem infraestrutura. O dinheiro extra doado às prefeituras é calculado de acordo com o volume de energia gerado pela Usina Corumbá IV, próxima a Alexânia.

Abadiânia tinha tudo para ser uma cidade próspera. Fica às margens da BR-060, rodovia que liga o Distrito Federal a Goiânia. Com a inauguração da usina, tornou-se ponto turístico por conta do lago proporcionado por Corumbá IV. O município também é conhecido por ser a cidade do médium João de Deus, que faz centenas de pessoas peregrinarem diariamente pela Avenida Frontal, onde fica a Casa Santo Inácio de Loiola. Lá, o religioso faz consultas. O movimento incentivou o surgimento de dezenas de pousadas, a maior parte ocupada por estrangeiros, e de boutiques, muitas delas com réplicas das batas brancas usadas nos rituais de João de Deus.

A cidade de 12 mil habitantes vive sem dinheiro no caixa. Os royalties de R$ 11,3 mil recebidos mensalmente vão integralmente para as obras de um hospital, há um ano e meio em obras. Os moradores afirmam que não há um só habitante que tenha nascido em Abadiânia — que tem 56 anos de emancipação — pois não havia, até então, casas de saúde. O dinheiro que circula pelo município é do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) — algo em torno de R$ 650 mil — e serve basicamente para pagar servidores. “A cidade é limitada”, diz José Augusto Paralovo, secretário de meio ambiente.
 

05/04/2010

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