Fisco endurece com sonegadores, ameaça manter auditores em fábricas e escritórios e reduzir prazo de recolhimento de tributos
A Receita Federal fechou o cerco contra empresas que descumprem obrigações tributárias de forma recorrente. A partir de 2010, o órgão intensificará a fiscalização de pessoas jurídicas que reiteradamente recolhem tributos em atraso. As novas regras constam de instrução normativa publicada ontem no Diário Oficial da União. Com a medida, a Receita poderá reforçar a fiscalização desses contribuintes suspeitos, incluindo a presença permanente de auditores fiscais nas empresas e o registro eletrônico de todas as operações em um programa de computador fornecido pelo órgão, além do controle sobre a emissão de documentos e notas fiscais.
Os devedores contumazes também poderão ter o período de recolhimento reduzido pela metade. Assim, em vez de esperar até o fim de janeiro para pagar os tributos(1) relativos a dezembro, a empresa terá de recolher tudo até o dia 15 do mês seguinte. Segundo o subsecretário de Fiscalização da Receita, Marcos Vinicius Neder, a fiscalização tem como objetivo coibir a inadimplência, principalmente entre as pequenas e médias empresas. Ele, no entanto, disse não ser possível estimar o número de empresas que podem ser atingidas pela nova regra.
“As delegacias regionais da Receita conhecem os devedores contumazes. Como os próprios auditores indicarão as empresas suspeitas e esse procedimento ainda não foi posto em prática, não dá para prever quantos contribuintes podem ser atingidos pela medida”, justificou Neder.
Laranjas
O reforço na fiscalização também será aplicado em empresas que impedirem a fiscalização, não fornecendo livros e documentos ou negando acesso ao estabelecimento. A medida valerá ainda nos casos em que os auditores constatarem que o controle da empresa é feito por laranjas ou por pessoas que não sejam os verdadeiros titulares, sócios ou acionistas.
O procedimento estava autorizado por uma lei de 1996, mas em 13 anos, segundo o subsecretário, só foi aplicado quatro vezes devido a problemas operacionais. “Antes, era o próprio secretário da Receita que tinha de autorizar o reforço da fiscalização empresa por empresa. Agora, a ordem virá das superintendências regionais.”
De acordo com Neder, o reforço na fiscalização contra devedores reincidentes restringirá a concorrência desleal, na medida em que menos empresas passarão a tirar vantagem da sonegação e competir de forma ilegal. “Diversas decisões do Supremo (Supremo Tribunal Federal) proíbem a Receita de fechar os estabelecimentos sob suspeita. Então, decidimos intensificar a fiscalização na boca do caixa”, concluiu.
1 - Prejuízo
Entre janeiro e outubro, a arrecadação totalizou R$ 541,85 bilhões, resultado 5,88% menor que o contabilizado em igual período de 2008. A receita retrocedeu devido a dois fatores principais. Primeiro, em decorrência da redução do nível de atividade do país, que diminuiu o faturamento das empresas e o recolhimento de tributos. Segundo, em consequência da série de desonerações feitas para estimular o consumo e evitar queda maior no ritmo de expansão do país.
Endereço: Rua Uruguaiana, 94 / 5º andar - Centro - Rio de Janeiro - Brasil | CEP 20050-091 | Telefone: ( 21 ) 2509-2706
© Copyright 2009 SINFRERJ. Todos os direitos reservados. Administração |