O comparecimento surpreendentemente baixo em Belo Horizonte, no domingo, pode ter sido o principal motivo para que as eleições internas do PT sejam decididas em segundo turno. O resultado, caso confirmado, representará uma derrota para o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. Pré-candidato do partido ao governo estadual, em disputa com o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, Pimentel contava com a reeleição tranquila do deputado federal Reginaldo Lopes para pressionar Patrus a desistir de disputar prévias partidárias no próximo ano.
Com a realização provável de um segundo turno, a equação se inverteu: Pimentel agora é cobrado a desistir da disputa, caso Reginaldo perca a eleição para o secretário nacional de Comunicação, Gleber Naime, que é apoiado por Patrus. "Se eles quiserem manter a lógica que adotaram até agora, terão que abrir mão da candidatura de Pimentel", afirmou Naime.
Mesmo se Reginaldo vencer o segundo turno, a eleição direta terá deixado sequelas em Pimentel. Isto porque ontem Naime recebeu o apoio das correntes à esquerda no partido e do grupo "Mensagem", que disputaram a presidência com chapas próprias. Somadas, devem ter mais de 50% dos votos no diretório. "A maioria na direção estadual será favorável a Patrus, independentemente do resultado da eleição para a presidência", comentou o deputado estadual André Quintão.
Até o início da noite de ontem, a apuração oficial mostrava Reginaldo Lopes com 48,6%, Gleber Naime com 38% , o deputado estadual Padre João, das correntes de esquerda, com 6,6% e o deputado federal Gilmar Machado , do grupo Mensagem, com 6,4%. Tinham sido contados 39 mil votos, de um total de 44,3 mil válidos esperados. A luta interna do PT se cruzou com a do PMDB de modo simbólico, ontem. Ao anunciar o apoio de Padre João e de representantes de Gilmar Machado, em uma sala de entrevistas na Assembleia Legislativa, Naime foi cumprimentado pelo deputado estadual Adalclever Lopes (PMDB), que disputa o comando pemedebista com o deputado federal Antonio Andrade no dia 13.
Andrade é o candidato do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que pretende concorrer ao governo mineiro no próximo ano, enquanto Adalclever tem como principal aliado o ex-governador Newton Cardoso e prioriza uma aliança com os petistas. Com o cumprimento, Adalclever buscou afastar a suspeita de que tenha no PT preferência por Pimentel, um petista com quem Hélio Costa pouco dialoga: "Nós queremos a aliança com o PT, independentemente de quem comande o partido. Em qualquer circunstância, queremos dar continuidade a uma aliança de centro-esquerda."
No Rio, foi confirmado o segundo turno. A tendência é que o candidato Lourival Casula concorra com o deputado federal Luiz Sérgio, o mais votado. Durante a apuração, o candidato Bismarck Alcântara chegou a ficar por algumas horas na frente de Casula, mas o quadro se modificou depois que as urnas do interior do estado foram abertas e deve fechar com uma diferença de cerca de 900 votos. Diferentemente de Luiz Sérgio, Casula apoia a candidatura do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, a governador. "Acho que o partido precisa de um candidato no primeiro turno para conseguirmos manter ou aumentar a bancada no Congresso", explica Casula, que lembra que antes da eleição havia uma promessa dele e de Bismarck de apoiarem um ao outro no segundo turno, caso um deles não tivessem votos suficientes.
No Rio Grande do Sul, o deputado estadual Raul Pont, da corrente Democracia Socialista, liderava a eleição para presidente até o fim da tarde de ontem com 50,6% dos 37,2 mil votos válidos apurados até então. Segundo o secretário de organização do partido no Estado, Adriano de Oliveira, o número de votantes já alcançava 39,7 mil e ainda faltava a apuração em cerca de 50 municípios de pequeno e médio porte.
"A participação foi uma surpresa", afirmou o dirigente. Na eleição de 2007 haviam votado 27 mil filiados e as expectativas eram de participação de 33 mil pessoas neste ano. Conforme Oliveira, ainda não era possível garantir que a disputa se definiria no primeiro turno. O resultado final será divulgado hoje.
Pont disputa o cargo pelo grupo Mensagem ao Partido, que inclui ainda as correntes Esquerda Democrática e PT Amplo e é ligado ao ministro da Justiça e pré-candidato do partido ao governo do Estado, Tarso Genro. Em segundo lugar, vinha o candidato Marcel Frisson, integrante da Articulação de Esquerda (AE) apoiado pela corrente Construindo Um Novo Brasil (CNB), com 39,6% dos votos válidos.
Na disputa entre as chapas para o diretório estadual, o Mensagem tinha obtido 40,2% dos votos válidos apurados até o fim da tarde. Já a aliança AE/CNB, 34,7%.
Em São Paulo, o atual presidente, Edinho Silva, foi reeleito com tranquilidade. Até o início da tarde de ontem, tinha mais de 80% dos votos válidos.
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