23 de maio, 2012 (Brasília)

Comunicação

PMDB veta opções do PT à esquerda

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Jornal Valor Econômico

FONTE: JORNAL VALOR ECONÔMICO
JORNAL VALOR ECONÔMICO

O PMDB vai apresentar um programa de governo próprio até o fim de abril, no qual colocará restrições aos pontos mais polêmicos do documento aprovado pelo PT no fim de semana, durante o 4º Congresso do partido. Teses como a jornada de 40 horas, maior controle dos meios de comunicação e regras mais flexíveis para a reforma agrária devem ser vetadas pelos pemedebistas. "O programa do PT é o programa do PT, não é o programa da coalizão. O do PMDB é outro. E é bom lembrar que o governo Dilma será de coalizão", disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

O grupo que fará o programa do PMDB terá nomes como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; os ex-ministros Delfim Netto e Mangabeira Unger; o atual ministro da Defesa, Nelson Jobim; e o presidente do Instituto Ulysses Guimarães, deputado Eliseu Padilha (RS). A ideia é fundir as propostas do grupo - que começa a se reunir já nesta semana - com as teses aprovadas pelos petistas. "Os pontos que estão no programa de governo do PT e já são políticas do governo Lula serão mantidos, pois o PMDB faz parte da atual gestão. O nosso cuidado será com as novidades", ponderou o deputado federal Eduardo Cunha (RJ).

As principais alterações devem ocorrer na questão agrária. O PMDB é contrário, basicamente, a três pontos: a atualização dos índices de produtividade da propriedade rural, a revogação da medida provisória editada no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que impede assentamentos em propriedades rurais invadidas, e a norma que exclui da lista de assentados aqueles que participarem de invasões de terra. Isso atenderia a boa parte da bancada pemedebista na Câmara, ligada aos ruralistas. O Ministério da Agricultura, afinal, comandado por Reinhold Stephanes, está com o PMDB.

Outras "novidades" que devem ser rejeitadas pelos pemedebistas são questões ligadas ao Programa Nacional de Direitos Humanos - incluindo a pressa na instalação da Comissão da Verdade - e a determinação de que as Forças Armadas respeitem homossexuais na corporação. Tratam-se de aspectos ligados à gestão do ministro da Defesa, o pemedebista Nelson Jobim.
Para Eduardo Cunha, o programa de governo do PMDB será amplo, embora dois nomes importantes do grupo sejam Meirelles e Delfim, que tendem a reforçar a parte econômica do documento a ser elaborado. "Delfim é conselheiro do presidente Lula e Meirelles é um dos grandes fiadores da política econômica, além de quadros excelentes de nosso partido. Seria uma agressão não convidá-los para esse debate", completou Cunha.

Esta semana haverá também uma nova reunião entre representantes do PMDB e do PT encarregados de definir as alianças estaduais. A reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente da Câmara e do PMDB, Michel Temer (SP), na sexta, véspera da confirmação da pré-candidatura de Dilma, deixou os pemedebistas mais confiantes. "Lula garantiu ao Michel que se empenhará pessoalmente em resolver as pendências nos Estados em que não há acordo. E deixou claro também que, onde tiver dois palanques para Dilma, ele não fará campanha", destacou Cunha.

22/02/2010

 

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