23 de maio, 2012 (Brasília)

Comunicação

Nova geração do DEM sofre com sombra de caciques

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Jornal O DIA

FONTE: JORNAL O DIA

Rodrigo Maia, presidente do partido, ACM Neto e Paulo Bornhausen têm que provar liderança em meio à crise política de Arruda

Com a responsabilidade de comandarem o DEM em meio à crise envolvendo um governador preso (José Roberto Arruda), um vice que renunciou (Paulo Octávio) e um prefeito que enfrenta um processo de cassação (Gilberto Kassab), os deputados federais Rodrigo Maia, ACM Neto e Paulo Bornhausen convivem com a sombra de serem herdeiros de políticos que ainda têm grande representatividade no cenário nacional.
Recentemente, no auge do escândalo que levou Arruda à prisão, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) criticou duramente a direção nacional do partido, comandada por Rodrigo desde 2007. Embora todos no DEM digam que o ruído está superado, analistas dizem que o processo de renovação de quadros pode ser mais nocivo ao partido do que a própria crise do mensalão. “O problema é menos a crise política e mais um problema geracional. Ele (Rodrigo) não tem a estatura política do pai. Está faltando vigor político”, diz o cientista político Cesar Romero.

Presidente do Democratas desde 2007, o deputado federal Rodrigo Maia considera as críticas, como a do senador Demóstenes, coisa do passado. “Ele quis a mesma coisa que a gente, como todos do partido”, diz o filho do ex-prefeito do Rio Cesar Maia, referindo-se à desfiliação de José Roberto Arruda após os episódios que mostravam imagens do governador e aliados guardando maços de dinheiro.
Para outro cientista político, Alberto Carlos de Almeida, do instituto Análise, “é difícil comparar” as gerações diferentes se uma delas ainda não esteve no poder. “As estratégias são diferentes. Mas há uma mudança positiva na postura atual, embora no passado fosse possível manter o apoio de quem enfrentava um processo”, diz Almeida, sobre o discurso de confrontar as posturas do PT e do DEM no pós-crise.
Mas para o presidente do DEM, o confronto ético pode sim ser essencial para recuperar a imagem do partido que ajudou a refundar. “A crise existiu e ponto. Mas todos passam por isso e cada um reagiu de uma forma. Nossa reação foi de abrir mão de um governador, o único que tínhamos. Não nos eximimos de responsabilidades”, afirma Rodrigo, que considera o confronto nesse sentido até vantajoso para o DEM. “Tivemos uma reação muito mais dura, muito mais firme. Vamos sim ter um grande resultado nessas eleições”, aposta Rodrigo Maia.

Centro-direita, PFL virou DEM em 2007
Com 497 prefeituras no País, 14 senadores e 56 deputados federais, o DEM, nome criado em 2007 no lugar do Partido da Frente Liberal (PFL), é a sigla que faz oposição mais ferrenha ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na gestão do petista, o DEM também perdeu algumas prefeituras e, agora, com a saída de Arruda, o único governador que tinha. O presidente do partido, Rodrigo Maia, no entanto, espera uma recuperação da legenda nas eleições de outubro.
“Temos sete candidatos a governo com boas chances. Na Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Santa Catarina e Tocantis. Esperamos eleger pelo menos três governadores, vamos manter nossos senadores e aumentar para 65 deputados federais”.

‘Falta um discurso ao DEM’
O cientista político Cesar Romero questiona os rumos do DEM a partir do escândalo do Mensalão do DF. “O PSDB fala em pós-Lula. Já o DEM sempre foi anti-Lula, mas essa bandeira da moralidade fica prejudicada com o escândalo”, diz Romero, que citou o interventor do DF Marco Maciel como exemplo do esgotamento de quadros na sigla.
Para Alberto Carlos Almeida, o gesto do DEM de desfiliar Arruda é considerado “equivalente” ao do PT ao tirar do páreo da disputa presidencial os antigos ‘escolhidos’ de Lula. “O mensalão petista impediu a trajetória do José Dirceu, assim como o caso do caseiro fez o mesmo com Antônio Palloci. Hoje a sociedade exige cada vez mais. E isso é positivo”.

Colegas defendem postura do partido, mas admitem dificuldades
O deputado federal Paulo Bornhausen (DEM-SC), filho do senador e ex-governador Jorge Bornhausen, trata a questão do “choque de gerações” como preconceito. “Tentam satanizar, diminuir essa herança, mas não vejo isso como problema. E a eleição vai mostrar que nossos adversários erraram no prognóstico de fim do nosso partido”, diz Paulinho.

Herdeiro de segunda geração de um dos políticos mais polêmicos da história brasileira, ACM Neto reconhece que é um teste “superar essa barra com menos de 40 anos”. “Não é todo dia que se enfrenta um problema dessa magnitude. Mas temos uma herança que nos dá lastro. Tenho 31 anos de vida e 31 de política”, diz o neto do falecido político baiano Antônio Carlos Magalhães.
Mais experiente, o deputado Ronaldo Caiado (DEM) também defende Rodrigo do que chamou de “massacre do governo”. Para ele, a liderança está consolidada até 2011, quando o DEM terá novas eleições. “Não há ruído (contra o Rodrigo). O governo que tem interesse em criar essa situação. Há posições diferentes, mas só isso”.

Cesar Maia disse, por e-mail, que o DEM teve o mérito de fazer o que o PT não fez: “eliminou os responsáveis”. Segundo o ex-prefeito, a chance é zero de interferência no eleitorado do DEM fora de Brasília. “Em um país continental, os escândalos regionais ficam neste”. Cesar deve ser candidato ao senado pelo Rio, e o DEM tem como quase fechado apoio à candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) ao governo.
 

08/03/2010

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