O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem sua aliança com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e disse que o peemedebista terá mais quatro anos de mandato no Estado. Cabral já anunciou que tentará a reeleição no ano que vem. Lula exaltou a parceria do governo federal com as administrações do Estado e do município do Rio e criticou governantes anteriores.
"O Sérgio (Cabral) tem mais quatro anos de mandato. Já governei com outro governador aqui e vocês sabem que quando o presidente e o governador não se entendem, são adversários e ficam se xingando. Quem quebra a cara é o povo", afirmou o presidente, discursando sob um sol escaldante.
Lula entregou unidades habitacionais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Complexo do Alemão e na favela de Manguinhos, na Zona Norte.
O presidente lembrou ainda que precisava ter um parceiro na prefeitura para que os investimentos no Rio tivessem andamento e que o problema foi resolvido com a eleição de Eduardo Paes (PMDB). "Agora as coisas andam que nem carro de F-1. Não é mais um fusquinha, porque todo mundo tem o mesmo interesse", disse Lula.
Cabral vai disputar a reeleição em 2010 com seu ex-aliado político, o ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato do PR ao governo do Rio. Os ex-aliados estiveram juntos até 2006, no PMDB. Naquele ano, o atual governador foi eleito sucessor de Rosinha Matheus (PMDB), mulher de Garotinho.
O clima de campanha deu o tom da entrega de casas populares do PAC. Em Manguinhos, também na Zona Norte, Cabral imprimiu o tom informal da cerimônia. Sempre que mencionava a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), lembrava que ela é "parceira e irmã".
"É ela que manda em mim e no presidente Lula, que governa com o presidente. É a grande comandante do PAC, é o braço direito e o esquerdo", disse.
Cabral entregava as chaves das novas moradias, no palco, onde abria o microfone para que as pessoas beneficiadas pudessem expressar suas emoções naquele momento. Em certo momento, chamou a atenção do cerimonial sobre o andamento da entrega das casas.
Lula foi alvo de elogios de Cabral, que destacou que jamais o governo federal havia repassado tantos recursos para o estado. Por fim, o governador sugeriu o nome de Lula para a secretaria-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em junho de 2011.
O governador admitiu a violência e a forte presença do tráfico em Manguinhos, mas deu a entender que pretende ocupar a favela de forma permanente, a exemplo do que vem sendo feito em outras comunidades do Rio, como Santa Marta (Botafogo), Cidade de Deus (Jacarepaguá) e Babilônia (Copacabana).
"Vamos completar todo o processo de inclusão e cidadania de Manguinhos. Um dia, a polícia vai estar na comunidade de forma permanente, e as crianças estarão longe da violência e do assédio do tráfico", afirmou.
23/12/2009
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