22 de maio, 2012 (Brasília)

Comunicação

Inflação e IPI maior limitam o consumo

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Correio Braziliense

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO BRASILIENZE

O brasileiro está com menos vontade de gastar em março, em comparação aos dois primeiros meses do ano. Com o crédito encarecido pelas expectativas de alta da taxa básica de juros, somado às pressões inflacionárias neste início de 2010 e a proximidade do fim da isenção tributária para veículos e produtos da linha branca, a Intenção de Consumo das Famílias, medido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), caiu 1,9% frente a fevereiro. Tal queda, segundo o economista Carlos Thadeu de Freitas, mostra a desaceleração do consumo.

Na avaliação dos economistas da CNC, o desmonte do aparato para combater a crise, principalmente o fim da isenção do IPI, reduziu a intenção de compras em março. “A queda foi puxada pelas famílias mais pobres, com renda de até 10 salários mínimos”, afirmou o economista Fábio Bentes. “Os preços altos jogaram para baixo as intenções do consumidor. Ela corroeu o orçamento familiar”, explicou.

Com o orçamento apertado, mas preocupada com uma possível escalada dos juros e com o fim dos descontos em função do IPI menor, a aposentada Maria Mercedes não quis adiar a compra da máquina de lavar e geladeira. Por outro lado, no entanto, ela preferiu adiar parte das compras. “Poder comprar a gente não pode, mas o que fazer?”, questionou a aposentada. “Gostei muito dessa história de IPI, queria que fosse prorrogado para sempre. Terminei minha casa e tenho de comprar os móveis. Até queria poder comprar tudo agora, antes que fique mais caro e os juros subam demais”, relatou a aposentada, que avaliava o tamanho das parcelas para saber se caberiam no bolso.

O levantamento da intenção de gastos mostra ainda que para a parcela da população com a menor faixa de renda na pesquisa, de até 10 salários mínimos, a situação atual do consumo piorou. Ficou abaixo da média de satisfação ao recuar 0,6% entre fevereiro e março. Apesar deste indicador, a maioria dos consumidores entrevistados, 53,4%, acredita que há espaço para o consumo crescer.

Acesso
Para a economista da CNC Mariana Hanson, essa piora também está atrelada à capacidade de endividamento das famílias. O quantidade de pessoas com contas a pagar subiu de 61,8% em fevereiro para 63% em março. “Também já está havendo piora nas condições de pagamento a prazo, mas ainda estão melhores que em 2009. O acesso ao crédito ainda está elevado, mas já está em queda. Ainda assim, no curtíssimo prazo, esses dados não tem gerado risco de inadimplência”, avaliou Mariana.
 

18/03/2010

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