04 de setembro, 2010 - 02:40 (Brasília)

Comunicação

A gestação do jeitinho

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Correio Braziliense

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE
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Deputados e senadores começam a estudar maneiras de driblar restrições impostas pelo TSE e pelo Executivo para conseguir faturar politicamente a inauguração de obras

Proibidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de participar de inaugurações de obras públicas a partir de 3 de julho, candidatos aos cargos de deputado e senador já pensam em formas de garantir a associação de seus nomes às construções sem infringir a lei eleitoral. Os “sem palanques” também estão impedidos de gastar parte dos R$ 3,3 bilhões apresentados em emendas ao Ministério do Turismo entre 2 de julho e 31 de outubro com festas e eventos. Mas, para não deixar nenhum projeto “órfão”, os candidatos prometem campanhas de porta em porta.

“A lei impede participação na inauguração, mas não um grande encontro na cidade onde teve a obra”, avisa o deputado estadual e líder do PT na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o deputado Padre João, que tentará uma vaga na Câmara dos Deputados em outubro. Embora seja favorável à mudança na legislação, que torna as regras dos candidatos majoritários válidas também para os proporcionais, Padre João entende que será possível pensar outras formas de divulgar a atividade parlamentar na eleição. “Quando a pessoa lutou, de fato, pela viabilidade de determinada obra, a comunidade precisa estar inteirada disso”, disse.
Em tese, a restrição atingiria em cheio políticos da base aliada do governo, que sonhavam acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como não é candidato, Lula está livre para inaugurar. Ao mesmo tempo, o presidente não estará impedido de ir, no mesmo dia, em um evento eleitoral organizado para favorecer a candidatura de aliados. Representação do DEM, PSDB e PPS contra a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, protocolada no TSE, pede que o tribunal se manifeste sobre a utilização de eventos institucionais para a realização de propaganda antecipada.

“As regras estão certas, mas o TSE poderia aplicá-las ao presidente e à ministra candidata (Dilma Rousseff) desde já”, critica o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), que passou o fim de semana visitando cidades do nordeste da Bahia. Candidato à reeleição, o parlamentar defende que a Justiça Eleitoral afaste o poder público das campanhas. “O cidadão não precisa de festa patrocinada, de inaugurações de obra para escolher o candidato”, diz. Segundo ele, a base de uma campanha é a conversa com o eleitor. A tese do corpo a corpo também é defendida pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), candidato ao Senado, que se prepara para fazer campanha visitando eleitores e prestando contas do mandato, “como sempre fez”.

“Não é proibindo um deputado de comparecer à inauguração de uma obra que se vai moralizar a política”, dispara o deputado federal Humberto Souto (PPS-MG). “É uma tentativa de evitar o tráfico de influência na eleição. E, no Brasil, com tanta desonestidade, tudo o que se fizer em busca da isenção é válido. Mas, não é por aí”, complementa o candidato, que tentará permanecer na Casa.

09/03/2010

 

 

 

 

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