22 de maio, 2012 (Brasília)

Comunicação

Gerdau: questão tributária requer discussão política

Tamanho do texto A A A
Fontes de Notícias : 

Jornal do Commercio

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO
JORNAL DO COMMERCIO

Em um cenário de real valorizado, que reduz a rentabilidade das exportações, os exportadores brasileiros voltam a chamar atenção para a carga tributária que incide sobre o setor. Em reunião realizada ontem na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Administração da siderúrgica Gerdau e do Movimento Brasil Competitivo, afirmou que a questão tributária não demanda uma discussão técnica, mas sim política. "Esta é uma guerra política e os inimigos são os governadores, que não querem a reforma", disse.

Segundo o empresário, os prefeitos também são contrários a mudanças, assim como as corporações arrecadadoras federais, estaduais e municipais, que "têm interesse em manter a complexidade" do processo de tributação. Ele afirmou que a Gerdau conta com 200 pessoas no Brasil para controlar esta área, enquanto no Canadá a empresa precisa de apenas "meia pessoa" para realizar a mesma atividade.

Gerdau afirmou que, entre os 14 países em que a empresa atua, apenas o Brasil tem "esta confusão fiscal". O empresário lembrou que o setor siderúrgico teve que exportar cerca de metade da sua produção durante os anos 80 devido à queda da demanda interna, e desde então enfrenta problemas com logística, portos e tributação. "As coisas não mudaram até hoje", afirmou.

Ele destacou que o setor exportador não está pedindo privilégios, mas isonomia competitiva com outros países. No caso da siderurgia, o setor conta com o desafio de lidar com o excesso de oferta de aço no mercado externo. Segundo Gerdau, a demanda mundial (exceto Ásia) é de 600 milhões de toneladas de aço, enquanto existe um excedente de capacidade de 600 milhões de toneladas. No mercado doméstico, o consumo deve ser de 20 milhões de toneladas em 2010, enquanto a capacidade será de 40 milhões de toneladas. "Diante deste contexto, os fatores competitivos da exportação continuam a ser decisivos", afirmou.
 

Para Gerdau, a falta de competitividade do setor de autopeças no exterior tem sido prejudicial às vendas de aços especiais. "As autopeças tinham exportação expressiva e agora a balança comercial é negativa", disse. Ele destacou ainda que os juros altos também comprometem a competitividade brasileira no exterior quando comparados aos juros em outros países.

Além da necessidade de desoneração da carga tributária, o empresário destacou a questão da compensação tributária das exportações. Hoje, apenas o último elo da cadeia gera ao exportador um crédito de determinados tributos que devem ser compensados pelo governo. No entanto, a compensação tributaria nem sempre acontece.
Segundo Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, muitos exportadores foram vítimas desta "armadilha" por acreditar que poderiam contar com a compensação. "No final do ano, veremos o desequilíbrio econômico-financeiro das empresas exportadoras", disse.

Ontem, a Fiesp divulgou uma pesquisa que mostra a avaliação de empresas sobre a compensação e a desoneração tributária das exportações, que será apresentado ao ministro Guido Mantega depois de amanhã. O estudo aponta que 57% das empresas consultadas têm até R$ 1 milhão em créditos tributários a receber, enquanto 18% têm entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões a receber. Outras 13% têm créditos de R$ 10 milhões a R$ 50 milhões, e 12% têm mais de R$ 50 milhões a receber.
 

Compartilhar

Endereço: Rua Uruguaiana, 94 / 5º andar - Centro - Rio de Janeiro - Brasil | CEP 20050-091 | Telefone: ( 21 ) 2509-2706