O fato de a economia fluminense ter sentido com menos força do que as de outros estados os efeitos da crise financeira internacional deixou os empresários do comércio de bens, serviços e turismo mais confiantes. Os resultados dos benefícios fiscais que deram fôlego à pesada carga tributária e as perspectivas positivas relacionadas às obras para sediar a Copa do Mundo e a Olimpíada contribuíram para essa reação.
O Índice de Confiança do Comércio do Estado do Rio de Janeiro, apurado pela Fecomércio-RJ, mostra que o otimismo do empresariado fluminense, após um primeiro semestre de adversidades, tem melhorado continuamente. A comparação do segundo trimestre com o primeiro mostra um crescimento de 12,3%. Mesmo após um avanço significativo e uma base mais alta, o índice do terceiro trimestre cresceu 1,1% sobre os três meses anteriores. Quando feita a comparação com o terceiro trimestre de 2008, período anterior à crise, o índice registrou variação negativa (-1,8%).
Na relação entre os terceiros trimestres de 2008 e 2009, dentre os segmentos que compõem o indicador, eletrodomésticos foi o que apresentou o maior crescimento (4%), resultado impulsionado pela redução do IPI para a linha branca. Na mesma base de comparação, os empresários do segmento de diversão, que apresentou variação positiva de 3%, estão mais confiantes com relação à conjuntura, já que o aumento da massa salarial permite ao consumidor destinar um percentual maior de seus gastos ao lazer.
Desde a semana passada, o setor de móveis e decoração entrou para a lista dos beneficiados com a isenção do IPI. A medida levará ao aumento das vendas do segmento, especialmente porque ela vem acompanhada do aquecimento do mercado imobiliário no estado, isto é, há mais domicílios para serem mobiliados.
Com relação às diferenças dentro do estado, vale destacar que cada região sentiu de forma diferente os impactos da turbulência econômica. O volume de visitantes das regiões da Costa Verde e das Baixadas Litorâneas cresceu por conta do estímulo ao turismo doméstico. A Região Norte Fluminense está num quadro favorável e continuará sendo destino de muitas empresas que buscam o crescimento da produção de petróleo, via pré-sal. As demais regiões não sentiram tanto as oscilações da economia, pois estão mais integradas com as regiões vizinhas do que com o restante do País e do mundo.
Das oito regiões administrativas, o Médio Paraíba, cuja produção está destinada ao setor de automóveis, sentiu mais as perdas de postos de trabalho. No entanto, o benefício fiscal do IPI para veículos, prorrogado para carros flex, aliado à retomada da atividade internacional, possibilita a recuperação da confiança na região.
Esse otimismo já surtiu efeito na criação de vagas de trabalho. De acordo com o Cadastro Geral de Empregos (Caged), o comércio de bens, serviços e turismo do Estado do Rio de Janeiro gerou no terceiro trimestre deste ano cerca de 21 mil empregos a mais do que os 10 mil contabilizados no segundo trimestre. São dados positivos para as empresas do estado e que acrescentam muito para o País.
São empresas vitoriosas, que mesmo com uma carga tributária maior do que a de outros estados geram, em média, mais postos de trabalho. Cada empresa do comércio de bens e serviços fluminense contrata, em média, 15 funcionários. Em São Paulo, são 12, no Espírito Santo, 11, e em Minas Gerais, 10. No Brasil, cada empresa emprega em média 12 pessoas. E não se trata apenas de uma folha de pagamentos maior, trata-se de mais inovação e criatividade na adoção de estratégias para driblar conjunturas menos favoráveis para criar empregos.
Com o crescimento da geração de empregos e da massa salarial, há mais consumidores com sobra orçamentária no Estado do Rio de Janeiro (25,1% no terceiro trimestre de 2009, contra 22,5% no trimestre imediatamente anterior) e mais confiantes do que ano passado. Portanto, a tendência é que os empresários do varejo, percebendo essa melhora, estimem que este Natal seja melhor do que o de 2008. Com isso, a expectativa é de variação na margem do ICC, no último trimestre, de 5%.
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