Discretamente, pelo menos quatro deputados articulam candidaturas à cadeira de Picciani, que deve concorrer ao Senado
As eleições de outubro ainda vão acontecer, mas quatro dos atuais deputados estaduais do Rio já estão mirando em uma disputa eleitoral posterior. Apesar de ainda não terem garantido a reeleição para a Assembleia Legislativa (Alerj), eles voltam os olhos para a disputa pela presidência da Casa.
Coronel Jairo (PSC), Domingos Brazão (PMDB), Edson Albertassi (PMDB) e Paulo Melo (PMDB) já estão articulando entre os atuais parlamentares suas candidaturas. A disputa antecipada tem um motivo: o atual presidente, Jorge Picciani (PMDB), que há sete anos preside a Alerj — está no quarto mandato seguido — não vai disputar a reeleição para deputado estadual porque deve concorrer ao Senado em uma das duas vagas da coligação entre o PMDB e o PT, que apoiará a tentativa de reeleição do governador Sérgio Cabral.
Com Picciani fora do páreo, a cadeira de presidente passou a ser cobiçada. A eleição será só em 2 de fevereiro de 2011, logo após a posse dos deputados eleitos em outubro, mas as articulações estão intensas desde meados do ano passado.
Oficialmente, Jairo, Albertasi, Melo e Brazão não assumem que querem a vaga. O discurso é o mesmo entre os quatro: “primeiro preciso ser reeleito”. Nos bastidores da Alerj, porém, eles são vistos como candidatos até pelos funcionários da Casa. “A campanha já está a pleno vapor”, afirma um deputado, pedindo anonimato.
Coronel Jairo é o mais discreto nas articulações. Atual vice-presidente da Casa, ele tenta evitar confrontos com os adversários porque sonha ser o candidato do consenso se a disputa se acirrar. Paulo Melo, líder do governo, usa como principal trunfo sua ligação com o governador Sérgio Cabral, de quem garante ter o apoio. Edson Albertassi, que preside a Comissão de Orçamento da Alerj, também sonha ter apoio de Cabral. Já Domingos Brazão vem articulando no chamado baixo clero, onde transita com desenvoltura.
Além do governador, outro apoio que vem sendo cobiçado, pelo menos por três dos pré-candidatos — só Brazão não entra nesta disputa, é o de Picciani. Mesmo se não for eleito para o Senado, é unanimidade entre os 70 deputados que o atual presidente da Assembleia continuará tendo força na Casa e deve influenciar na escolha de seu sucessor. Parlamentares experientes têm como certo que Picciani deve eleger o filho Rafael para a Alerj, além de pelo menos outros 10 deputados que contarão com seu apoio para a campanha.
Outro posto será cobiçado
Se a disputa pela cadeira de presidente da Casa promete, a vaga de 1º secretário da Alerj, hoje ocupado por Graça Matos (PMDB), também será concorrido. Afinal, trata-se do segundo mais importante na hierarquia da administração da Alerj.
Wagner Montes (PDT) é o único que assume claramente que quer o posto. O apresentador argumenta que o PDT deverá ser a segunda bancada na Alerj a partir de 2011, por causa da perspectiva de que ele tenha mais de 300 mil votos, o que aumentaria a legenda partidária, possibilitando a eleição de mais deputados pedetistas. “Nada mais justo que a segunda bancada tenha a 1ª secretaria”, diz Wagner.Hoje são cinco parlamentares do PDT, mas o partido acredita que terá pelo menos oito em 2011.
André Corrêa (PPS) também estaria de olho na vaga, em uma provável aliança para apoiar Paulo Melo para a presidência. Coronel Jairo e Edson Albertassi são apontados como pretendentes também, caso não consigam a presidência. Albertassi, porém, nega a intenção.
Futuros candidatos já se preparam
Na disputa pela presidência da Alerj todo artifícios é válido para atrair apoio dos atuais parlamentares. A perspectiva, de acordo com a média histórica, é de que pelo menos 42 (60%) dos 70 deputados sejam reeleitos. Brazão contratou assessoria de imprensa. Paulo Melo vem valorizando sua ligação com Cabral, especialmente para afastar outros dois peemedebistas. A alegação principal dele é de que “política tem fila”. Em seu quinto mandato, Melo alega que esperou a vez apoiando Picciani e agora caberia a Brazão e Albertassi aguardarem a fila. No entanto, ambos não aceitam. Brazão tentou disputar a vaga outras duas vezes e Albertassi também acha que é a vez dele.
Governador tem o voto principal para a escolha na Alerj
O governador, seja ele quem for, é considerado o principal eleitor para a escolha do presidente da Alerj. A tradição é antiga. O governador Sérgio Cabral, por exemplo, ocupou a presidência da Casa por oito anos antes de ser eleito senador, em 2002, sempre com o apoio do chefe do executivo da época. Primeiro foi Marcelo Alencar (PSDB), de 1995 a 1998, e depois, Anthony Garotinho (PDT), de 1999 a 2002. Em 2007, como governador, Cabral referendou a eleição de Picciani e em 2011, se for reeleito, terá papel fundamental na escolha do novo presidente.
Por isso, alguns parlamentares consideram a disputa antecipada precipitação. “Se Cabral não for reeleito o quadro muda totalmente. Se Garotinho ou Gabeira ganharem pode surgir outro nome para a vaga”, afirma um experiente parlamentar.
02/02/2010
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