Cresce combate à lavagem de dinheiro nas eleições

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Jornal do Commercio

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO
JORNAL DO COMMERCIO

O Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda responsável por ajudar no combate à lavagem de dinheiro, registrou em 2009 um aumento de 26,27% das comunicações "atípicas" relacionadas a operações em espécie. Segundo balanço das atividades obtido pela reportagem, o conselho recebeu no ano passado 359.228 comunicações suspeitas desse tipo, ante 284.486 em 2008.

Esse número poderá ser ainda maior este ano, devido às eleições presidenciais e nos estados, quando haverá grande movimentação de dinheiro em espécie. Em 2010, o Coaf fará um cruzamento de informações entre candidatos a cargos eletivos e eventuais relatórios de informação financeira que vierem a ser produzidos sobre eles. O colegiado já realizou tal cruzamento de eleições passadas. "É uma operação padrão para facilitar futuras investigações", afirmou o presidente do Coaf, Antônio Gustavo Rodrigues.

Desde a sua criação, em 1998, o órgão já recebeu 1,2 milhão de informações do Banco Central sobre transações financeiras em dinheiro vivo, ficando atrás apenas do setor de seguros, com 1,8 milhão de informes repassados. Em 11 anos, foram 3,2 milhões de comunicações atípicas.

As comunicações recebidas pelo Coaf servem de importante matéria-prima para o início de investigações oficiais sobre lavagem de dinheiro no País. Setores regulamentados pelo próprio órgão, como lotéricas e lojas de venda de obras de arte, ou com regulação própria, como bancos e fundos de pensão, são obrigados por lei a comunicar ao conselho quando pessoas ou empresas realizam operações suspeitas. O órgão da Fazenda, por sua vez, analisa as informações para saber se a transação comercial foi correta e está dentro de determinados parâmetros - por exemplo, compatível com a renda de determinada pessoa.

Depois da análise preliminar, o conselho produz os chamados relatórios de inteligência financeira (RIFs), que podem identificar possíveis suspeitas de lavagem de dinheiro a serem apuradas. Os relatórios, sigilosos, são remetidos para a Receita Federal, polícias Federal e estaduais e ministérios públicos, para abertura de inquéritos e procedimentos fiscais e criminais para aprofundarem as investigações. Os chamados RIFs aumentaram 6,5% nos dois últimos anos: de 1.431 para 1.521. No entanto, as comunicações de operações atípicas vinculadas aos relatórios aumentaram 32,63% no mesmo período. Em 2008, foram 44.817 e, ano passado, 59.442 comunicações. Caiu em 22% o número de comunicações relacionadas a pessoas físicas, de 12.210 em 2008 para 9.522 em 2009 - um indicativo de que as suspeitas aumentaram sobre as empresas.

22/01/2010

 

 

 

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