Com fim de IPI reduzido, cenário futuro é de incerteza

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Jornal Valor Econômico

FONTE: JORNAL VALOR ECONÔMICO
JORNAL VALOR ECONÔMICO

Empresas que operam em setores beneficiados pela redução do IPI no ano passado registraram um mês forte de produção e vendas em janeiro, mas ainda têm dúvidas sobre quanto do crescimento obtido será mantido ao longo do ano.
Em janeiro foram emplacados no país 201.828 veículos, entre nacionais e importados, volume 27,4% inferior ao de dezembro passado, mas 6,2% acima do de janeiro de 2009, segundo dados preliminares que devem ser divulgados esta semana pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), mas já conhecidos pelas montadoras. No setor automotivo, o ritmo de vendas ainda não retornou ao padrão existente antes da crise econômica global.
 

Há um ano, os efeitos da crise foram minorados pela redução integral de IPI, que possibilitou que o preço sugerido para um veículo como o Uno Mille baixasse de R$ 23.470 para R$ 21.754. O preço sugerido para o Uno não acompanhou a inflação - no mês passado estava em R$ 21.990 -, mas a recuperação de mercado foi tímida.
O empresário Nelson Hübner havia desativado uma fundição na cidade de Ponta Grossa, Paraná, em janeiro de 2009. No mês passado ela voltou a funcionar com um turno de produção e mais empregados estão sendo contratados para o segundo turno, que deve ser iniciado em março para atender o aumento na demanda do segmento de peças para veículos pesados. As encomendas, que na fase mais crítica quase foram zeradas na empresa, agora estão numa carteira de pedidos cujo volume equivale a três meses de produção.
 

"Estamos vendo uma recuperação fantástica", diz Hübner. Segundo ele, se comparado com janeiro de 2009, o aumento na produção no primeiro mês de 2010 chegou a 60%. Ele explica, no entanto, que ainda não atingiu os volumes de 2008. Há dois anos ele tinha 1.560 empregados e, com a crise, o número caiu para 920. Agora está em 1.100. "Os sinais positivos começaram no último trimestre e foram mantidos no começo do ano", diz ele, que fornece peças para o mercado de reposição e também para montadoras de caminhões, tratores e colheitadeiras.
 

A situação na empresa de Hübner retrata o que está acontecendo no segmento em que ele atua. O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal), Roberto Karam, teve na semana passada uma reunião com associados e um dos assuntos foi a reação do setor. Depois das perdas de 2009, 2010 será de recuperação, a contar pelo retorno das encomendas, que estão em média 17% maiores que há um ano. A taxa de ocupação das indústrias acompanhadas pelo Sindimetal era de 70% em 2009 e agora está perto de 80%.
 

No Nordeste, a fabricante de eletrodomésticos Esmaltec manteve em janeiro o mesmo ritmo de produção, considerado bom, dos últimos meses de 2009. De acordo com a superintendente, Annette de Castro, a manutenção da atividade se deveu à antecipação das encomendas por parte dos varejistas, motivada pelo fim da alíquota reduzida do IPI para alguns itens da linha branca, ocorrido no domingo. Com o fim do benefício, a empresa congelou as contratações de funcionários, optando por esperar novo cenário para o setor.

03/02/2010
 

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