O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, negou nesta quinta-feira que o ultimato dado ao PSDB para definir o candidato que disputará a Presidência da República em 2010 seja uma manobra política. Aécio disputa com o governador de São Paulo, José Serra, a indicação de seu partido para se candidatar à Presidência.
Ele defende que o PSDB defina o seu candidato até dezembro, enquanto Serra espera que a escolha seja feita em março de 2010. "Quando determino um prazo, não faço isso apenas como uma manobra política. Faço isso como um gesto de correção para com o partido, dizendo que até dezembro me considero em condições de ampliar essa aliança, de apresentar um projeto novo para o Brasil, falando do pós-Lula, agregando outras forças políticas", afirmou Aécio em entrevista divulgada por sua assessoria. Aécio exigiu que o PSDB defina seu candidato até dezembro. Caso contrário, lançará sua candidatura ao Senado.
O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), confirmou que o Rio é o único Estado em que o partido ainda não tem nenhuma definição para as eleições do ano que vem. Nesta quinta-feira, ele esteve na capital fluminense para conversar com as principais lideranças tucanas locais em busca de uma alternativa de palanque no Rio para o futuro candidato à Presidência da República pelo partido.
"Temos situações delicadas em vários Estados, mas aqui é o único que a gente ainda não definiu padrão de palanque", afirmou Guerra, após participar de almoço com a vice-presidente nacional do PSDB, senadora Marisa Serrano (MS), e representantes da legenda no Rio. Até a filiação da senadora Marina Silva (AC) ao PV, o palanque preferencial dos tucanos no Rio era o do deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ). Com a provável participação de Marina na disputa à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o parlamentar perdeu apoio dos tucanos locais. O presidente regional do partido, José Camilo Zito, chegou a dizer que ele não tinha "cheiro de povo".
Com a dificuldade em formalizar aliança com o PSDB, Gabeira - que conta com a simpatia de Serra, e vice-versa - sinalizou que não disputaria mais o governo do Estado, para tentar uma das duas vagas em disputa no Senado. Enquanto os tucanos ainda não têm nenhum palanque no Rio, a pré-candidata do PT à Presidência, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, já conta com três: o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que busca a reeleição, o ex-governador Anthony Garotinho (PR) e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT).
"A nossa aposta para 2010 era a candidatura do Gabeira, que teve o nosso apoio como candidato a prefeito. Com a candidatura da Marina e sem a convicção de Gabeira para disputar o governo, a gente começa a refletir sobre o caminho que devemos tomar", afirmou Guerra. "Uma das hipóteses é candidatura própria".
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