Novo sistema de registro de ocorrência de crimes levará policiais de sete delegacias, munidos de laptops e impressoras, até a casa das vítimas. Atendimento com hora marcada também poderá ser feito e agendado pela Internet
Projeto anunciado ontem pelo secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, vai levar policiais de sete delegacias do Rio e de Niterói às residências de vítimas de crimes para que façam o registro de ocorrência (RO) em casa. Com o nome Dedic (Dedicação Exclusiva ao Cidadão), o sistema vai ser implantado nas unidades de Copacabana, Leblon, Gávea, Barra da Tijuca, Tijuca, Campo Grande e Icaraí a partir de fevereiro.
De início, poderão ser atendidas em casa vítimas de qualquer tipo de crime, desde que cometidos na área dessas delegacias. A velocidade do atendimento será compatível com a agenda dos inspetores, que levarão para a rua computadores portáteis com acesso à Internet e impressoras.
Os ROs também poderão ser feitos pela Internet e da forma tradicional: na própria delegacia, só que com hora marcada. Nesses casos, basta ligar para a unidade da área ou acessar um site ainda não divulgado, marcando dia e horário para ser ouvido.
As unidades escolhidas para acolher o projeto neste primeiro momento receberão uma estrela, símbolo do Dedic. “Temos um problema de atendimento das pessoas no balcão, então estamos fazendo um projeto-piloto com sete delegacias, que terão um trabalho dedicado. O policial vai até as residências ouvir a parte. A delegacia que atuar nesse projeto vai ganhar esse selo”, detalhou o secretário, na inauguração da nova Divisão de Homicídios, na Barra.
Os policiais dessas unidades trabalharão em sistema diferenciado de turno, devendo estar todos os dias na delegacia em horários pré-determinados, a fim de agilizar não só o atendimento como também a investigação. Ainda de acordo com o secretário, o resultado do experimento será determinante para, no futuro, o projeto de atendimento em domicílio ser levado às demais delegacias do estado: “Além de ver se vai dar certo, também temos que criar estrutura, como acontece com as unidades de polícia pacificadora. A gente faz, ela funciona, e a partir dali vai sendo criada estrutura para as demais”.
Pelo menos 80% do efetivo de cada uma das sete delegacias trabalhará no sistema de dedicação exclusiva (sem turnos): 12 inspetores voltados para esse tipo de atendimento ao cidadão, além da investigação dos crimes. Serão colocadas à disposição desses policiais — a maioria vinda da última turma formada pela Polícia Civil, em dezembro do ano passado — 12 viaturas descaracterizadas.
O diretor do Departamento de Policiamento da Capital, delegado Ronaldo Oliveira, garantiu que o sistema de atendimento em casa não vai prejudicar a velocidade da investigação: “Haverá equipes só para esse trabalho, não tem como ocorrer prejuízo. O cidadão não precisa se preocupar”.
A nova Divisão de Homicídios (DH) do Rio foi inaugurada ontem com a promessa da Secretaria de Segurança de investir na investigação durante as primeiras 48 horas após o assassinato, consideradas cruciais. Os policiais da especializada terão até 20 minutos para chegar ao local do crime.
A unidade, na Barra da Tijuca, onde ficava o antigo prédio da 16ª DP (Barra), reunirá todos os casos de homicídio e latrocínio do Rio, eliminando, assim, as delegacias de homicídio da capital e da Z. Oeste, como O DIA adiantou em novembro.
Com 250 homens — entre policiais civis, bombeiros, papiloscopistas, peritos técnicos e criminais —, 60 viaturas, um rabecão e um laboratório de perícia móvel, a super-DH tem o objetivo de acelerar a solução de assassinatos. “A elucidação de um crime se consegue na maioria das vezes agindo nos primeiros dois dias, é o princípio da oportunidade. Por isso, temos aqui todo esse grupo que sai junto para o local do crime, com investigadores que poderão ouvir as pessoas próximas enquanto o corpo de bombeiros e o perito fazem seu trabalho”, explica o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.
Oito delegados farão parte da equipe da DH, que atuará em esquema de dedicação exclusiva (sem turnos).
O delegado-titular, Felipe Ettore, disse que o prazo para que os policiais da unidade cheguem aos locais dos crimes é de até 20 minutos: “A Polícia Militar já foi avisada para que passem diretamente os homicídios para nós. Isso economizará nosso tempo e o deles, que não precisarão ir à delegacia”. A metodologia de investigação foi inspirada em países como França e EUA.
O governador Sérgio Cabral anunciou que pretende inaugurar até o fim do ano outras duas DHs nos mesmos moldes, na Baixada e em São Gonçalo: “Vai ser um gol de placa, é um conceito moderníssimo em termos de elucidação de crimes”.
21/01/2010
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